segunda-feira, novembro 19, 2007

Para Fabiana

Ó ser distante que tão presentes te fazer nas horas finais.
Esteja contigo a paz que o mundo desconhece.
E transborde em ti a alegria.

Ah, a alegria! Esse fruto proibido para quem tem no mal seu prazer.
Mas tu, ó ser distante, te sustentas em fazer o bem.
O bem àqueles que te cercam.
Incrível, pois o fazes também a mim, que de muito longe te admiro.

Ó ser distante, que a tua distância e as léguas que de ti me separam,
Não permitam que o teu companheirismo desapareça.
Pois, os amigos que em ti confiam,
Carecem de ouvir de ti as mais inconclusivas e instigantes palavras.

segunda-feira, junho 18, 2007

A Espera

Olho para o mar e sinto o seu chamado.
Levo minha jangada até ele, e começo a navegar.
Quer o amigo mar que eu me entregue e deixe tudo pra trás.
Não! Minha natureza não permite, meu coração não quer.
Permaneço navegando tendo o sol e o mar como companheiros.
Em minhas profundas reflexões, recebo dos dois belos conselhos,
E passo a tê-los não só como companheiros, mas também como guias.
A vida me passa pela cabeça, em minha jornada no mar. Procuro respostas.
Quando finalmente todas as preocupações e ansiedade de desprendem de mim.
Meus olhos encontram deitada na praia, a mais bela morena.
Sopra o vento para alvoroçar seus cabelos.
Quero eu trocar a companhia do sol e do mar, deixar de navegar.
Me jogar nos braços da morena. Mas não posso.
Enquanto o coração manda que largue tudo para abraçá-la, a razão diz que não é o tempo
Quem seguir? Não sei. Não tenho a resposta. E tão breve não a terei.
Mas meu coração ainda quer a bela morena.
E enquanto o tempo não chega decido apenas observá-la.
De bem longe, de cima de minha jangada.
Até que ela veja da praia que alguém a espera.

segunda-feira, maio 28, 2007

Janela sobre uma mulher/1

Abro espaço para um texto clássico, que, de vez em quando, me faz refletir.

“Esa mujer es una casa secreta.
En sus rincones, guarda voces y esconde fantasmas.
En las noches de invierno, humea.
Quien en ella entra, dicen, nunca más sale.
Yo atravieso el hondo foso que la rodea. En esa casa seré habitado. En ella me espera el vino que me beberá. Muy suavemente golpeo la puerta, y espero.”
Eduardo Galeano, Mujeres

segunda-feira, maio 07, 2007

Foi por causa de um gesto

Mais um conto. Fazia tempo que eu não postava nada aqui. Talvez ele precise de correção, mas depois eu vejo isso. Fique a vontade.
Eu não sou um assassino e quero deixar isso bem claro. Tudo bem, concordo que tenho sido um pouco cruel ultimamente. Mas nunca cometi nenhum ato de insanidade, ou que não soubesse as consequências.
Sempre vivi tranquilamente, em paz com todos os homens e mulheres, aliás, sou um defensor ferrenho do respeito ao próximo. Isso até conhecer aquela mulher terrível. Eu até gostava dela - no começo de nossa relação, apenas - mas aos poucos fui me afastando.
Me afastei sim, por causa um gesto apenas. Era um gesto displicente, ingênuo, mas que não retrava a verdadeira personalidade daquela mulher. É verdade! Pode te parecer estranho, mas tente se colocar em meu lugar e ter que conviver com esse gesto quase que diariamente.
Não sei como cheguei a tal ponto. Mas tente entender qual o motivo pode levar uma mulher casada, com seus dois filhos crescidos, com muitas posses, se permitir ato tão infantil. Seu pequeno gesto me deixava tão enfurecido que coisas terríveis me passaram pela mente.
Está certo. Nem sempre fui bom pra ela. E naquela semana fui um sangüinário ao cortar sua cabeça. Passei dias, tempos, pensando em como fazer isso, esperando o momento certo. Um coisa dessas não poderia ser feita em público. Nunca!
Certamente, alguém inteligente como tu irias rir das idéias que se apossaram de mim. Sei que estás admirado com meu sangue frio, mas não te assustes, por favor. Foi apenas uma vez - para ser franco, acho que faria outras.
Podes até pensar, e estar afirmando em tua mente, que realmente sou um assassino, qualificado. Reafirmo e lhe asseguro que não sou. Apenas planejo com muita antecedência o que faço, para que não fiquem resquícios dos meus atos. Assassinos não são assim. Agem por instinto. Eu uso a sabedoria. Mas deixemos de falar de mim, por ora. Falemos dela, a terrível.
Sua audácia me consumia. Entendes que um homem não consegue viver à sombra de uma mulher? Pois comigo era assim. Minha criação patriarcal jamais me permitiria tal ato. Homens são mais fortes, são seres superiores. Mas digo isso com todo o respeito. Vós, mulheres, hão de compreender. Ela era tão audaciosa que nunca me fizera mal algum, mesmo com todo meu desprezo. Nem mesmo a voz havia levantado contra mim. Mas aquele gesto... ah sim, o gesto. Ele me deixava louco, parece que só eu percebia. Só eu me irritava. Mas não queria me precipitar. Aguardei o momento certo para cometer tal ato.
No primeiro mês de relacionamento aquilo era irrelevante. Conversávamos normalmente como seres civilizados. Ela queria saber sobre mim. És capaz de suspeitar, como eu suspeitei, que ela pudesse estar interessada em mim. Naturalmente, descartei essa possibilidade rapidamente. Nos encontrávamos diariamente. Tínhamos amigos em comum e trabalhávamos em locais próximos. Vê-la era inevitável.
Com o tempo, fui percebendo seu gesto. Passou a ser irritante. Em muitas de nossas conversas tentei lhe falar sobre isso. Sempre sem sucesso.
Pois nem lhe falei como ela era. Uma mulher, com uma aparência dura. O semblante era sempre tenso. Por vezes parecia estar descontraída. Seus olhos eram saltados, com grandes bolas pretas no centro. Orelhas pontudas e finas. Um corpo esquelético. Ninguém haveria de achá-la bonita. Nem sei como casou! Era um monstro.
O tempo continuou a passar e minha atração por aquele gesto aumentou. Não suportava mais olhar. Meu corpo não conseguia criar barreiras que o fizessem tornar a ser irrelevante. E logo passou a ser insuportável.
Uma raiva tão grande se apossou de mim. A crueldade. Queria dar cabo a toda irritação. Quis dar um tiro, a princípio. E depois de pensar profundamente, cheguei a conclusão que seria muito alarmante.
Fui para casa e por uma semana não saí de meu quarto. Senão apenas para alimentar-me e cumprir minhas necessidades fisiológicas. Tudo para planejar como iria acontecer. Havia descartado o uso de arma de fogo. Pensei em diversas possibilidades. Cheguei a ler o Manual do Assassino - não que eu seja um, como lhe expliquei. Tive, então, a brilhante constatação que deveria ser feito em minha casa. Convidei-a para um jantar e disse que poderia trazer sua família.
Fiquei deveras ansioso com a oportunidade. Podes imaginar o quanto. No entanto, seguiria meu plano até o fim. Iria aguardar até que cometesse o gesto falho. Conversávamos, todos, na sala de estar. Eu, ela, seu esposo e seus dois filhos. Por horas ficamos ali, até irmos para a mesa onde o jantar estava servido.
Olhava fixamente para ela. Comer? Nem pensar! Podes imaginar por quanto tempo eu esperei por tão grande oportunidade? Aquele momento era único. Até que então ela ergue sua mão e levou à cabeça. Desceu os dedos pelo cabelo e chegou as pontas. Enrolava os cabelos em seus dedos. Logo desviei o olhar. Entretanto, o infernal gesto se repetia com maior frequência. A cada instante repetia mais por mais vezes, com pequenos intervalos. Estás atento? Tal gesto me deixava inconfortável. Dominei-me e fiquei quieto. Irás reconhecer no fim de tudo que tentei evitar que acontecesse. Olhava para sua família e procurava me controlar.
Como poderiam conviver com uma mulher monstruosa mexendo em seu cabelo como uma criança ingênua. Isso era inadmissível! Eu procurava me controlar, mas sabia, que atrás da porta que dava acesso à sala de jantar, estava o instrumento do terror. A qualquer instante ele seria cometido. E foi num movimento longo e incessante que não me contive. Pedi licença - imagines tu, eu sendo educado, como posso ser um assassino?, - levantei-me, peguei o machado que estava à minha espera e num único movimento, combinado com um grito ensurdercedor, deitei a cabeça daquela terrível mulher sobre a mesa do jantar. Ali, em frente a sua família atônita.
Olhei para eles. Perguntei-lhes como aturaram aquela mexida no cabelo tanto tampo. Eles me questionaram sobre o que eu estava falando. Vês, ninguém percebia nada. Não poderia conviver com uma atitude tão brutal. E rapidamente matei os três. A morte seria melhor que o trauma de viver com a imagem da cabeça dentro de um prato.
Não espero que me consideres um assassino por ter matado e enterrado os quatro membros de uma família. Aliás, eles estão no quintal de minha casa e lembro deles em minhas preces noturnas. Entendes meu caso? Espero que sim, pois é impossível, insuportável, enfurecedor, conviver com uma mulher que insiste em mexer no seu cabelo, num gesto repetitivo. Ah... essas mereçem morrer .

sábado, março 17, 2007

Perdas Definitivas

Abro espaço aqui para a publicação de um conto, produzido há tempos atrás, mas que merece seu lugar. Espero que apreciem.
Enquanto a música tocava suave no rádio, ela, sentada na poltrona da sala, olhava para o nada. Seus pais a fitaram, querendo descobrir o que se passava dentro da cabeça daquela jovem. Ela não prestava atenção em nada, viajava em seus pensamentos mais profundos. Naquele momento, qualquer um que quisesse não conseguiria penetrar no seu mundo. O mundo cheio de sonhos, cheio de utopias.
Roberta era assim, decidida. Queria transformar o mundo. Sua geração acabava de redescobrir os hippies, a contracultura. Estava redescobrindo o passado obscuro e ocultado por anos. Enquanto estava parada, sentada, Roberta pensava no verdadeiro significado da vida, e no sentido que queria dar à sua.
Pensava no amor que tinha por Marco. Ela o disputava com uma grande amiga. Não sabia mais como proceder diante daquela situação. Por isso estava ali, na sala de casa, ouvindo suas músicas preferidas. Ouviu a rádio local, mudou de estação, e não feliz com as canções colocou um antigo disco de vinil de seu pai.
Discos de vinil estavam na moda. Tudo o que há anos atrás era considerado peça de museu, estava voltando para as mãos dos jovens. Jovens como Roberta. Ao entrarem em contato com o século passado pareciam viver naquele tempo. Retornaram às velhas práticas. Enviavam cartas, pois tinham se esquecido dos e-mails. Não possuíam mais aparelhos de telefone celular, nem ouviam músicas em pequenos compactos eletrônicos.
Eram outros tempos. Os jovens estavam voltando a pensar, e no meio de seus profundos pensamentos, aquela menina de cabelos loiros cacheados, olhos claros e bem abertos, se fixou no nada. Ali ficou por horas.
Enquanto pensava sobre seus problemas amorosos, Roberta lembrou-se de uma pequena história sobre duas sereias. Uma história que havia escutado há muito tempo atrás. Apaixonadas pelo mesmo ser, um humano, disputaram seu amor. Sabiam que ele não poderia viver no mundo das sereias. E sabiam que elas, as mulheres-peixe, não poderiam viver no mundo dos humanos.
Em um fim de tarde nublado, ao ver sua irmã sereia, bem mais jovem e simpática, pura de coração, sentada na mais alta pedra daquela praia, com o homem cobiçado por ambas, a maldade subitamente se apossou do coração da sereia mais velha. Que por sinal, era bela, mas não tão simpática e pura como a jovem irmã.
Jurou para si mesma, diante daquela visão, que faria um pacto com o Mar e com a Lua. E assim o fez. Ao cair da noite os convidou para uma rápida conversa. Queria saber dos dois como teria o amor de um humano para sempre. Queria trazê-lo para seu mundo de sereia. Mas antes que começasse a receber as respostas recebeu o alerta da amiga Lua. “Cara amiga Sereia, tenha primeiro a certeza de que ele quer você. O amor de vocês precisa ser sincero”.
De pronto, tomada de toda maldade, a sereia mais velha respondeu: “Nos amamos profundamente. Tenha certeza disso”. Mais uma vez recebeu um alerta. Desta vez quem lhe avisava era o Mar: “Sereia. Saiba que se o amor de vocês não for sincero nunca mais ninguém verá a este homem”. Apesar de ter sido tocada por uma ponta de preocupação aquela sereia foi adiante em seu plano. E recebeu todas as instruções dos amigos. Mar e Lua deixaram claro como ela deveria proceder. “Em noite de lua cheia, na subida da maré, você deverá trazer este homem até a areia da praia, o mais próximo que puderes das ondas. Deitarás com ele, e os dois de mãos dados cairão em sono profundo. Depois de três ondas vocês serão levados para os céus e ocuparão o lugar das estrelas. Estarão para sempre lado a lado”.
A sereia mais velha teria que esperar por mais um mês até que chegasse outro período de lua cheia. Queria seguir as instruções corretamente. Durante esse tempo tentaria conquistar o amor daquele homem, a quem tanto cobiçara. No entanto, a cada dia ele passava mais tempo, sentado na pedra mais alta da praia com sua irmã. Eram conversas longas. De longe ela avistava os risos dos dois. Por fim, durante todo aquele período de espera, não conseguiu uma aproximação, o que a deixava preocupada em relação às conseqüências do seu ato. Mas aquela sereia não recuava em suas decisões, estava disposta a ir até o fim.
Até o que o dia esperado chegou. A sereia fez tudo corretamente. Procedeu conforme as instruções do Mar e da Lua. No entanto, não esperava pelo final. Depois da terceira onda, abriu seus olhos e se viu sozinha, deitada. O Mar havia levado o amado. Só restaram as marcas de seu corpo na areia. A sereia saiu rapidamente daquele lugar, assustada e arrependida pelo que havia feito.
Sua irmã, o verdadeiro amor do humano, ao ver que o jovem havia sido tragado pelo mar, indagou: “Oh, Mar! Que fizeste com meu amor?”. Eis que prontamente recebeu a reposta: “Sereia jovem e bela. Seria mesmo teu amor? Há tempos atrás sua irmã esteve aqui, conversou com a amiga Lua e comigo, e desejou isso para os dois”.
Naquele momento a jovem sereia não queria pensar em sua irmã, queria apenas saber se poderia se encontrar com o amado. Ao que o Mar respondeu: “Deite-se ao lado das marcas do corpo dele e ponha a tua mão sobre a mão dele. Se realmente o amas, após a terceira onda estarás com ele no céu, como uma estrela”. Ela assim o fez, e após a terceira onda a pura e bela sereia brilhava no universo. Pra sempre ao lado de seu amado.
Roberta lembrava-se dessa história todas as vezes que Marco vinha à sua mente. Aliás, Marco era uma imagem recorrente. Durante todo o dia, Roberta não conseguia se desvencilhar deste pensamento.
Júlia, sua grande amiga, diariamente ligava para Roberta para falar de sua paixão por Marco. Roberta com toda sua pureza dizia para Júlia que ela deveria seguir o coração, se realmente o amava deveria declarar-se para ele. Estranhamente, aquela jovem guardava seu amor no coração, não tocava no assunto com ninguém, evitava até mesmo pensar nisso. E quanto mais evitava, mais pensava.
Marco não era um símbolo de beleza. Seu modo de vestir era pouco convencional, sempre com a barba feita e o cabelo penteado para trás. Poderia vestir uma camisa por dois ou três dias. Era um ser estranho, ou melhor, diferente.
Roberta não sabia explicar o que a atraía naquele rapaz. Pensou em várias possibilidades. Sem chegar a conclusões concretas, suspeitou que fosse o conjunto da obra, o todo. Por outro lado, Júlia sabia muito bem o Marco representava para ela. Marco era o símbolo de sua adolescência. Desde seus tempos de menina ela nutria essa paixão. Chegava ao ponto de persegui-lo. E quanto mais ela dizia que o amava, mais ele se afastava. Por vezes, Roberta tentou aproximá-los, sem sucesso.
O amor que ambas disputavam, inconscientemente, tornava sua amizade cada vez mais profunda, mesmo que isso possa parecer contraditório. E ao mesmo tempo em que as unia, também as separava.
No tempo certo Roberta estava disposta a se declarar, mas antes teria que tirar Júlia do seu caminho, sem ter que usar de nenhuma tática. Queria que isso fosse natural.
E na manhã seguinte recebeu uma notícia inesperada. Júlia estava se mudando, naquele exato momento, para uma cidade distante. Não haveria tempo para despedida, nem para choro. No instante que recebeu a notícia, a jovem foi tomada pela alegria e pensou que, enfim, o caminho estava aberto. Com a mudança, Júlia estava levando consigo a paixão por Marco. Era a oportunidade que por tanto tempo ela esperou.
A alegria foi tanta que na mesma noite Roberta foi procurar por Marco. Queria contar tudo. Queria contar para ele sobre o seu amor. Que havia permanecido calada por respeito à sua amiga. Havia agido de maneira diferente àquela sereia e, ao invés de tentar destruir uma paixão, por muito tempo incentivou Júlia a contar-lhe. Mas o destino havia preparado o caminho para que os dois ficassem juntos e esse era o momento. Era chegada a hora.
Chegou à casa de Marco ofegante. A mãe do jovem ocupou-se de dar-lhe um copo d'água, que rapidamente foi emborcado. Trocou-lhe o copo por outro cheio, que novamente foi esvaziado com rapidez. Atirou-se à conversa sem preocupações, pois a conhecia de longa data. Cuidando apenas de mantê-la entretida. E logo se arrependeu. Mudou para um assunto mais profundo que a levou à única notícia que poderia ser dada. Marco havia ido embora. Nada poderia ser mais constrangedor para Roberta.
Aquela que havia refreado todo seu amor acabara de descobrir que seu amor estava longe. Tão longe quanto sua amiga. Aliás, foi por causa dela que Marco havia ido embora. Marco amava Júlia e não queria perdê-la. Para Roberta o amor, que parecia ter ganhado seu espaço, era agora uma perda definitiva.

terça-feira, março 13, 2007

Linhas

Nas linhas que dividem o ser
Entre a loucura e a procura
Entre a dependência e a procedência.
Estão os mistérios da vida
Uma louca utopia
Deverá se tornar uma realidade
No momento em que o ser
Atravessar essas linhas
No exato instante que o homem descobre
A sua capacidade de não saber
Quem é e de onde vem
E do que precisa.
De que depende a sua vida?
Girando a cabeça para todos os lados
Vida vazia
Cheia de mistérios
Tarde ingrata
Manhã nublada
Noite e dia se confundem na escuridão
Pois já não existem linhas que os separem
Não existem mais linhas
Existem mais linhas
Mais linhas
Linhas
Minhas

terça-feira, janeiro 30, 2007

Reinventar

Ao reiventar nós mesmos
Pensamos estar reiventando a vida.
No entanto, com o passar do tempo
Tudo volta à rotina
A mesmice toma conta
Como se tivéssemos perdido na memória todas as nossas lembranças
Esquecido erros que cometidos

E, então, insistimos novamente em errar.
O caderno que anotamos nossas traquinices, perdido está
É preciso ser criança.
Sem saber o que o amanhã será
Amar sem preconceito e com verdade
Assim, a vida será renovada

E a rotina
Não mais estará em nós.