segunda-feira, dezembro 04, 2006

De onde vim

Nasci em Florianópolis,
Vivi em Florianópolis.
Por isso sou assim
Um pouco calmo, forte e feliz.
Mais feliz do que qualquer outra coisa.
Mas a tristeza também me abate
Me visita regularmente.
Nunca tive nada, nem espero ter muito.
Busco viver cada dia como se fosse o único.
Quero aproveitar todos os momentos.
A vida é curta
Corta e machuca
Porém, não me desespero
Apenas vivo.
Pois nasci em Florianópolis
E é assim que se aprende a viver por lá.
Aproveitando.

segunda-feira, novembro 27, 2006

Como na infância

Na minha infância
Nunca entendi as travessuras
Que cometia e participava
Coisas de criança levada
Vasos quebrados,
Paredes riscadas,
Bolas nos vidros
E lâmpadas quebradas
Palmadas da mãe,
A cinta preta do pai
Risos com meu irmão, risos com meus pais
Lembranças que ainda tenho,
Lembranças que sempre terei
Uma infância marcada pela alegria na familia.
Queria eu poder viver
Na irresponsabilidade e no desapego
De uma criança pelo resto de minha vida
Mas agora não é mais possível
A maturidade começa a chegar
E logo, sem que eu mesmo perceba
As cãs aparecerão em minha cabeça
E a velhice chegará
E então, quero voltar a ser criança

quarta-feira, novembro 22, 2006

Por causa de Drummond

Inspirado por Drummond saí a procurar
Quais os resíduos do passado
Eu teria enterrado em meu corpo e minha alma.
Descobri que tenho o queixo de meu pai,
A desconfiança de minha mãe,
Um pouco do silêncio absoluto do meu quarto.

Descobri que tenho as manias
De meu avô materno.
Até ando como ele.
Que ficou em mim o humor
De meu avô paterno.
Toda a sutileza no riso

Descobri ter saudades do que não vivi,
E lembranças do que não presenciei.
Inspirado por Drummond
Fechei os vidros da loção,
Que eu havia usado para sentir
O suave cheiro da memória.

segunda-feira, novembro 20, 2006

Tua ausência

Sei que em algum lugar teu coração bate por mim, amiga
Tu que tens um coração livre e doce, inesquecível,
Porém, fico aqui com tua ausência, insuportável.

Sei que em algum lugar teus olhos procuram os meus, amiga
Procuram uma conversa sincera, confidências
E meus pensamentos procuram saber o que pensas

Sei que em algum lugar estás a me esperar, amiga
Estás a esperar meus braços, fortes e leves, queres um abraço
Enquanto eu, longe de ti, abraço tua ausência.

Até quando suportarei a vida assim?
Lembro do que me diz Vinícius
Fomos feitos para lembrar e ser lembrados
E entendo que apesar da tua ausência, amiga, ainda lembro de ti
Pois fomos feitos para a esperança do milagre,

E eu, feito para suportar a tua ausência

terça-feira, fevereiro 07, 2006

Vazio

Não há nada entre nós dois
Não há muros, nem barreiras
Mas, se ao menos eu te conhecesse
Mais fácil seria te amar

Como escrever sobre ti?
Se não sei como é teu pai e tua mãe
Algo impossível, ao menos por enquanto,
Pois na minha mente tua imagem é vazia

Queria escrever-te uma carta,
Mandar-te um bilhete de amor
Mas não posso fazê-lo sem teu endereço
Sem saber onde tu moras, onde vives

A verdade é que sinto um vazio sufocante
Não sei como ele surgiu aqui dentro
Mas sei como ele pode desaparecer
Quando você, minha desconhecida, surgir e me amar

sexta-feira, fevereiro 03, 2006

Soneto do Engano

Onde está todo o meu sangue vertido?
O que se fez de meu coração partido?
Não entendo porque não teria eu morrido?
Se por causa de ti muitas vezes havia sofrido.

Na loucura de uma vida louca encontrei abrigo.
De um amor que muitos chamam de doido varrido.
Não há porque chorar sem antes haver te perdido.
Ainda estás comigo e de ti nada duvido, ou duvido?

Suspeito que me ames com toda ingenuidade
Meu coração mundano assim espera
Que estejas comigo por toda eternidade

E a eternidade começa no momento que te amo
Seria melhor se fizesses o mesmo
Para que meu coração não sofresse do mal do engano

quinta-feira, fevereiro 02, 2006

Novo Mundo

A marcha inicia
Homens, mulheres e crianças
Roupas brancas
Flores brancas
Proclamam a paz
São defensores do amor
Nas suas frontes está escrito: liberdade
Nas suas mãos carregam a esperança

A guerra continua
Homens, mulheres e crianças
Roupas negras
Armas negras
Destroem a paz
Defendem o orgulho
Nas suas frontes está escrito: poder
Nas suas mãos carregam a dor

Que o mundo recomece
Homens, mulheres e crianças
Roupas para todos
Flores para todos
Proclamando a novidade
Defendendo a união
Nas suas frontes estará escrito: novo mundo
Nas suas mãos carregarão o amanhã

Fim de tarde

A solidão proporciona belos momentos
Momentos íntimos
De reflexão
Como se estivesse sentado sobre uma duna de areia
Olhando para os montes
De costas para o mar
Ouvindo o chacoalhar das ondas
Sentindo os últimos raios de sol do dia tocando o rosto

Uma brisa sopra suave
E uma pitada de nostalgia é acrescentada
Assim que o homem só percebe que está só
Mas o mundo não desaba para ele
Apenas reconhece a necessidade de encontrar alguém
Que aqueça seu coração
Do mesmo modo que os raios de sol aquecem o seu rosto

Porém,
A reflexão
Leva o homem a lugares nunca antes percorridos
Que ele sonha um dia estar
Mas não é mais momento de sonhar
O sol, a cada minuto que passa desaparece
E é hora de se preparar para o frio
O frio da noite
Da escura madrugada
Que traz consigo a solidão

quarta-feira, fevereiro 01, 2006

Separação

Um belo casal
De tempos tão remotos
De quando as cores eram desbotadas

Um jovem casal
Que a vida uniu
Que sonhos viveram
Que amarguras sofreram
Que a morte separou

Uma noite triste
Uma noite de separação
Não há mais um belo casal
Nem mesmo jovens são mais
Por mais de cinqüenta anos juntos viveram

Agora separados estão
E neste mundo resta apenas um triste coração

Surgirá

Por entre miseráveis homens
Em meio a guerras e seus indecifráveis guerreiros
Lá, numa pequena ilha
Surgirá

Para os famintos e desabrigados
Os que perderam seus amores e seus amantes
Lá, uma pequena luz
Surgirá

Na cabeça de sonhadores
Na mente dos intelectuais esquecidos
Lá, em meio a frenéticas discussões
Surgirá

Surgirá
Aquilo que os miseráveis precisam
Que os guerreiros anseiam
Que os famintos e desabrigados desejam
Que os amores e amantes proporcionam
Que os sonhadores enxergam durante as noites
Que os intelectuais descrevem: a Liberdade

Intenções

Com a melhor das intenções
Cheguei perto de você
Me aproximei
Tentei te seduzir
[Que decepção eu fui]
Meu Deus!
Não tive coragem
De admitir
Que eu,
O homem com a melhor das intenções,
Não imaginava
Que o amor pudesse
Surgir do nada.
Mas não era esse o meu desejo.
Queria apenas
Me aproximar de você
Com a melhor das intenções

Pode Chover

Pode chover
O sol um dia voltará a brilhar
Porque a chuva passa
Passa vida
Ficam apenas os amigos, ou não ficarão?
Quem são eles? Onde estão?
Fico aqui
No canto de meu quarto
Na solidão de quem procura uma paixão
Na busca de uma vida que complete a minha
Na certeza de que ela um dia virá
Como a chuva que vem e vai
Mas ainda creio que um dia o sol voltará a brilhar
Então, pode chover